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    July 25

    o livre pensar

    Preocupação

     

     

    Nuremberg, Alemanha, junho de 2006.

    A região da Baviera é uma das mais belas da Europa central. Sua rica história remonta aos tempos da idade média, passando pelo esplendor na corte do Rei Ludwing e à Segunda Grande Guerra que    a destruiu por completo. Hoje em dia muito mais lembrada pelo famoso julgamento, presenciou, entretanto, acontecimentos de maior relevância e principalmente  emblemáticos.

    Andei pelos corredores da área construída para eventos do Partido Nazista. Um impressionante acervo de fotos, filmes, objetos e documentos que mostram crimes hediondos inimagináveis ainda que hoje  sabemos ter acontecido. Mas isso é lugar comum. Deve ser lembrado para que nunca mais ocorra fenômeno semelhante. Chamou-me a atenção a evolução das instituições na Alemanha a partir de 1933 quando o Partido chegou ao poder: mudanças rápidas foram introduzidas e uma aparente melhoria na qualidade de vida dos cidadãos se observou. Gradativamente o cidadão abria mão da liberdade, do livre pensar, entregando-os aos guardiões das idéias em troca de benefícios apenas existentes em propaganda. É o que aprendemos nos bancos escolares.

    Quero rever apenas um detalhe: a substituição do Estado pelo Partido ou ainda a ocupação das funções do Estado pelo Partido. O chanceler e o líder do partido se tornam uma só pessoa. Os símbolos partidários substituem os símbolos do Estado. As instituições se fundem. O mesmo ocorreu ao mesmo tempo na União Soviética, embora nesta, a tendência de substituição era a própria essência programada do regime. 

    Assustei-me quando, absorvido pelas lembranças, me perguntei: será que existe algum lugar no mundo onde alguém ainda imagine fazer do partido uma instituição que substitua o Estado ?

     

    July 19

    Também escrevo coisas sem sentido

    A volta das maritacas*

     

     

    Dia após dia, manhã após manhã, olho a palmeira pela janela do quarto. Alta, cerca de 7 metros de altura, imponente, produz grande número de pequenos coquinhos em cachos pendentes que exaltam a fertilidade da árvore que lhes deu a vida e a missão de perpetuar a espécie.

    Maritacas são pequenas aves de cor verde, o mais belo verde que se possa ver, às vezes confundidas com pequenos papagaios e que são na verdade aves do mesmo gênero. Por anos e anos bandos iam e voltavam ao nascer do sol, barulho intenso em acrobacia aérea em volta da palmeira. Como um despertador natural, passei a desejar sempre ser despertado pelo som que, pouco tempo depois, não incomodava. Antes, o imaginei como harmônico por trazer agradáveis sensações como um regozijo à natureza. A cena é singela, a sensação de prazer infinita.

    O pensar liberto, especulações dispersas, desgarradas. Apoiar-se à janela, silenciosamente, com todo o cuidado, maritacas em bandos cobrem a palmeira mais uma vez. Precioso estímulo criador. Se quiser, menos que isso, apenas agradável deleite. Pretensiosos poetas cantam a música e os movimentos das pequenas musas verdes e se apaixonam. Assim me sentia com alegre despertar dia após dia.

    De repente num desses dias as maritacas não vieram. Acordei, por não ouvi-las! Achei tudo muito estranho. As maritacas, aves coerentes, simplesmente não podiam faltar ao seu compromisso de voar sobre a minha palmeira. Ora, aves coerentes? Coerência é uma característica abstrata, portanto humana e não pode neste caso ser aqui aplicada. Isso, entretanto não responde. Onde estariam as maritacas?

    Não considero razoável sentir sua ausência. Mas, faziam parte do meu dia, de minhas manhãs, de minha vida, do meu despertar...

    Depois de alguns anos, agora, neste inverno elas voltaram. Não trouxeram respostas e não expuseram as razões de tão sentida ausência. Não permitiram que perguntasse. Fiz silêncio, abri suavemente a janela, voltei a ver as acrobacias do bando das pequenas aves verdes, novamente ouvi seus harmônicos gritos e observei a palmeira também mais linda, mais robusta como se dissesse que cumpria seu papel.

    Se algum dia as maritacas explicarem porque sumiram então entenderei porque sinto tanto sua falta.

    A história dos paradoxos está apenas começando.

     

     

    * Existem no “google” cerca de 14 300 páginas em português sobre maritacas.

     

    February 22

    seria preciso um dia de 48 horas

    O debate sobre planos de saúde, previdência social, políticas públicas envolvendo o estado de bem estar social merece sequência. Meu atual "guru" , Lorenzo Madrid,  que escreveu sobre minha provocação , e o fez com a sabedoria de sempre, deverá entender que temos aqui um tema infinito...
    Hoje vou deixar uma pequena provocação à jornalista que gentilmente me remeteu a um tema regional. Talvez não seja tão regional assim.
    Ainda em debate a questão do nepotismo , palavra cuja etimologia já revela o como é antigo  o problema, tivemos recnetemente no Brasil uma violenta troca de críticas e medidas liminares contra ou a favor do dito privilégio. Definiu o STF pela correta defesa da sociedade e manteve a decisão da eliminação dos parentes. E o Brasil perdeu os melhores funcionários públicos de todos os tempos. É o preço da ética e da moral. Temo pelo desaparecimento da Justiça no País. Doravante processos terão seu andamento retardado. Algumas ações levarão anos para serem julgados. Eles farão uma falta enorme e todos nós veremos como eles eram necessários.
    Que este mísero pensamento acima seja perdoado por Sir Bernard Shaw.
    A questão é : este problema existe apenas no Poder Judiciário ?  Não, existe em todos os setores : Executivo , Legislativo , nos níveis federal, estadual e municipal. Qual a novidade ?
    Acho interessante remeter a discussão também para o que acontece nas Instituições Estaduais e Federais de Ensino Superior. Até porque estaremos falando de pessoas com alto grau de conhecimento, mestres e doutores, alguns com pós doutorado , livre- docência, titulares (os antigos catedráticos). Seria interessante discutir a questão do nepotismo e dos privilégios nas universidades que aparecem de forma tão sutil que se tornou natural e aceitável. Aqueles que vivem neste meio são eventualmente massacrados pelo sistema e surpreendentemente se conformam. Alguns avaliam que talvez isso seja justo e buscam evidências científicas ( genéticas ! ) para explicar. E por certo,  a influência do meio.
    O desafio: mapear as Instituições de Ensino Superior e analisar as relações de parentesco. Num segundo momento tentar avaliar a situação de modo qualitativo. Bela tese de Pós Graduação em Sociologia ( ou seria de Direito Penal ? )
    November 21

    mais uma vez

    Voltei aqui ! Pensei que a primeira mensagem seria a última. 
    Pelo jeito não foi. Volto a escrever. O assunto que tem me seduzido é a incoerência. Às vezes me surpreendo com as mudanças que observo nas pessoas que conheci e ainda mantenho contato desde os anos 60. Mesmo aquelas que não conheci pessoalmente, mas pude acompanhar pelos seus escritos, suas ações ou pelo que se pode ler na imprensa. Acho tudo muito estranho e talvez seja esse um problema para quem tenha  memória ainda não comprometida.
    Alguem já disse : "O homem  e suas circunstâncias". Se isso justifica  as mudanças, então vale tudo, vale qualquer coisa , pois sempre haverá uma circunstância a explicar as ações.
    Proponho a quem se descuidar , acabar lendo este "blog" , olhe em volta  e avalie pelo menos três pessoas.
    Lembre de suas atitudes e opiniões há 30, 40 anos. Depois observe a mesma pessoa hoje.
    Faça a mesma coisa com instituições, empresas, jornais, revistas e  qualquer outra pessoa física ou jurídica.
    Fez ? Então pode chorar, infelizmente ideologia não existe.
     
    November 18

    Algum dia eu teria que começar

    De tanto ver todo mundo escrever , um dia voce se arrisca e faz o mesmo ou pelo menos tenta algo semelhante. O mesmo se dá comigo. Não sou diferente. Ainda não tenho nenhum projeto específico para este local ( me assusta chamá-lo de "blog") mas reinventar a idéia do livre pensar e mais o livre escrever me fascina.
    Tintas rebeldes e comportamento anárquico é um alvo , independente do tema, guiando o escrever , que não seja objetivo e muito menos conduza à soluções pragmáticas. O contrário já dispõe dos professores de auto-ajuda.
    Nada a propor mas apenas comentar histórias  reais ou imaginárias. Deverá ser objeto hedonista de seu autor, o que é feliz apenas quando pode pensar e escrever o que quer.
    Já sabe , e como foi difícil, ouvir...