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    May 29

    Falando sobre Retorno do Blog

     

    Citação : Alguns médicos que leram esse post de dezembro  me disseram que  este é uma fantasia , algo que imaginei apenas pela vontade de escrever no blog...

     

    Retorno do Blog

    Histórias inacreditáveis

     

     

    1. A doença misteriosa.

     

    “Meu nome é Sonia. Tenho 39 anos e nasci em uma pequena cidade do interior de Estado de São Paulo, o estado mais desenvolvido do Brasil. Sou portadora de Epilepsia, doença misteriosa para  a minha compreensão. Até hoje não sei porque tenho desmaios , tampouco sei quando eles vão ocorrer e pior , parece que ninguém neste mundo sabe. Não estudei o suficiente para sequer escrever esta pequena história que mais poderia ser chamada de desabafo ou ainda um pedido de socorro. Pedi  a um amigo que a escrevesse por mim, ele Professor de Escola, moço culto e que por certo sabe mais das letras que eu. Ainda pequena , por volta dos 5 anos de idade, as crises começaram assim como  minha jornada inacreditável.  Por encanto,  eu simplesmente perdia os sentidos , após grito que a todos  assustava. Permanecia inconsciente por breves dois minutos com movimentos desordenados e involuntários em todo o corpo. A queda eventualmente me causava lesões na cabeça e nos braços. Quando acordava meu corpo todo doía e minha vontade era dormir , onde quer que estivesse, pelo resto do dia ou da noite. Assim os anos foram passando. Não sou boa com os estudos e assim com o tempo aprendi a trabalhar como empregada doméstica. Previdente que sou exigi que os empregadores me registrassem conforme manda a lei. Assim os anos se passaram e tempos em tempos as crises voltavam. A cada crise meus empregadores me demitiam, ou por medo ou por desconhecerem a natureza de minha doença. Mas continuo vivendo. Durante os anos que se seguiram a 1990 minhas crises estavam relativamente controladas e precariamente fui acompanhada por médicos do serviço público que se limitavam a prescrever medicamentos de rotina para convulsões. Quando eu piorava, tinha que ir ao Hospital e passar uns tempos por lá. Nem eu sabia porque passava dias e dias apenas tomando soro e medicação pela boca.  Mas era a regra, pensava eu. Um dia encontrei um médico que se interessou pela minha doença. Nada anormal a não ser o fato que passei a ter com quem falar sobre a misteriosa. Aos poucos ficamos amigos, embora eu fosse atendida em unidade pública de saúde. Nem felicidade, nem cura, nem emprego de longa duração, foram assim os  anos que seguiram. A freqüência das crises aumentou e até mesmo eu, a interessada, teria me demitido com aquele quadro. Os problemas estavam apenas começando. Um dia a primeira surpresa:

    ao chegar à farmácia pública tive recusado o medicamento que sempre tomei. Estranho e misterioso, pois me disseram que o médico que me atendia, ele também profissional da rede pública de saúde, não poderia receitar “aquele” remédio. O tal remédio só poderia ser entregue mediante prescrição de psiquiatra cadastrado no Sistema! Mais misterioso ainda, pois minha doença não é de natureza psiquiatra e sim de origem orgânica, neurológica, de altíssima incidência na população. Lembrei-me “Saúde é um direito do cidadão e dever do Estado”, não fui eu que escrevi, mas é o que dizem. Pensei: menos os epilépticos? E la nave va....  (frase do professor e não minha).

    Solução do farmacêutico: eu devia passar  a me tratar com o médico psiquiatra da Rede Pública. Sabe que acabei por fazer isso? Logo na primeira consulta não ganhei receita do meu remédio, mas uma carta de encaminhamento para o meu próprio médico neurologista, aquele que me atendia há anos e claro ainda na Rede Pública. No final concluí que o direito à saúde exclui os epilépticos. Também quem mandou eu ter uma doença misteriosa? As crises foram piorando. Tornaram-se muito mais freqüentes. Um amigo me disse que tinha visto na televisão e na internet que agora eles operavam a cabeça de alguns epilépticos mais graves com muito sucesso. Confesso que fiquei eufórica. Melhor ainda: os serviços de Epilepsia eram públicos! Fui a São Paulo, após uma inútil parada numa tal de referência regional, que se limitou a me mandar tomar remédios que já tomava. Entrei em filas das universidades estaduais e federais. Uma das pessoas da fila me disse: desista ou vá até o consultório privado de um desses que aqui atende. Quero deixar claro que não dei crédito. Quem acreditaria que professores universitários ou médicos que atendem a rede pública se utilizam financiamento público para atender seus clientes privados? Nunca fui avaliada. As crises aumentaram. De volta para minha terra, fui visitar meu amigo que me tratava. Continuamos amigos e continuei com as dificuldades de minha doença sem cobertura na rede pública. Já no século XXI, melhorei um pouco e voltei a trabalhar. Um dia faltou remédio na Farmácia. Acabei por ter uma crise que me machucou bastante. Pior ainda, a freqüência aumentou. Agora de vez, não conseguia trabalhar, nem que me dessem emprego. Relatório Médico na mão fui à previdência social, este bem maior que me concede a tal constituição.

    Fui atendida logo por dois médicos, um após o outro, peritos. Claro, sou importante, afinal de certa forma eu ajudo, pagando o Sistema.  Perguntas?

            Sonia, você tem essa doença desde a infância, portanto não pode querer agora, só porque pagou, usufruir benefício.

            Você não trouxe nenhum exame que comprove que tem a doença?

            Porque você não procurou um Centro mais avançado pra se tratar? Você sabe que hoje existe tecnologia moderna, inclusive cirurgia?

            Onde está o exame de Ressonância Magnética?  

            Como? Exames de Ressonância demoram mais de um ano para serem marcados? O que nós temos com isso?

            Porque você não procura um vereador para apressar a marcação?

            Por fim, queremos informar que vamos negar seu benefício por tudo isso e saiba que nós da Previdência (pública) não temos nada a ver com a Assistência Médica (pública) e portanto você tem que se tratar e voltar a trabalhar.

    Pois então meus caros amigos, o que faço? Não posso me tratar, pois não atendem. Se atendem, não me dão remédio. Se não posso trabalhar, não recebo salário e não posso pagar nada a ninguém, nem mesmo para me tratar. Se procuro a Previdência para que me ampare,   dizem que tenho que comprovar tratamento ou que realmente estou doente. Já nem sei se tenho alguma coisa...

    Algumas pessoas me dizem que sou bonita, sou forte, pude ter filhos e até mesmo criar meu filho sozinho. Eu entendo que com a misteriosa me perturbando eu até consegui realizar muito. Trabalhei e eduquei o menino. As mesmas pessoas dizem que nunca me viram desmaiar e que estou simulando. Pode ser.

    Hoje estou descansando, lugar frio este onde me deitei. A última coisa que me lembro é que caí ao limpar uma janela, no dia de meu trabalho como faxineira. Infelizmente foi uma nova crise. Mas porque choram ao meu redor? Que cheiro estranho esse de vela queimada...”

     

     

     

    Essa é uma história de ficção. Relatos semelhantes podem ser encontrados, basta procurar...

    December 21

    Retorno do Blog

    Histórias inacreditáveis

     

     

    1. A doença misteriosa.

     

    “Meu nome é Sonia. Tenho 39 anos e nasci em uma pequena cidade do interior de Estado de São Paulo, o estado mais desenvolvido do Brasil. Sou portadora de Epilepsia, doença misteriosa para  a minha compreensão. Até hoje não sei porque tenho desmaios , tampouco sei quando eles vão ocorrer e pior , parece que ninguém neste mundo sabe. Não estudei o suficiente para sequer escrever esta pequena história que mais poderia ser chamada de desabafo ou ainda um pedido de socorro. Pedi  a um amigo que a escrevesse por mim, ele Professor de Escola, moço culto e que por certo sabe mais das letras que eu. Ainda pequena , por volta dos 5 anos de idade, as crises começaram assim como  minha jornada inacreditável.  Por encanto,  eu simplesmente perdia os sentidos , após grito que a todos  assustava. Permanecia inconsciente por breves dois minutos com movimentos desordenados e involuntários em todo o corpo. A queda eventualmente me causava lesões na cabeça e nos braços. Quando acordava meu corpo todo doía e minha vontade era dormir , onde quer que estivesse, pelo resto do dia ou da noite. Assim os anos foram passando. Não sou boa com os estudos e assim com o tempo aprendi a trabalhar como empregada doméstica. Previdente que sou exigi que os empregadores me registrassem conforme manda a lei. Assim os anos se passaram e tempos em tempos as crises voltavam. A cada crise meus empregadores me demitiam, ou por medo ou por desconhecerem a natureza de minha doença. Mas continuo vivendo. Durante os anos que se seguiram a 1990 minhas crises estavam relativamente controladas e precariamente fui acompanhada por médicos do serviço público que se limitavam a prescrever medicamentos de rotina para convulsões. Quando eu piorava, tinha que ir ao Hospital e passar uns tempos por lá. Nem eu sabia porque passava dias e dias apenas tomando soro e medicação pela boca.  Mas era a regra, pensava eu. Um dia encontrei um médico que se interessou pela minha doença. Nada anormal a não ser o fato que passei a ter com quem falar sobre a misteriosa. Aos poucos ficamos amigos, embora eu fosse atendida em unidade pública de saúde. Nem felicidade, nem cura, nem emprego de longa duração, foram assim os  anos que seguiram. A freqüência das crises aumentou e até mesmo eu, a interessada, teria me demitido com aquele quadro. Os problemas estavam apenas começando. Um dia a primeira surpresa:

    ao chegar à farmácia pública tive recusado o medicamento que sempre tomei. Estranho e misterioso, pois me disseram que o médico que me atendia, ele também profissional da rede pública de saúde, não poderia receitar “aquele” remédio. O tal remédio só poderia ser entregue mediante prescrição de psiquiatra cadastrado no Sistema! Mais misterioso ainda, pois minha doença não é de natureza psiquiatra e sim de origem orgânica, neurológica, de altíssima incidência na população. Lembrei-me “Saúde é um direito do cidadão e dever do Estado”, não fui eu que escrevi, mas é o que dizem. Pensei: menos os epilépticos? E la nave va....  (frase do professor e não minha).

    Solução do farmacêutico: eu devia passar  a me tratar com o médico psiquiatra da Rede Pública. Sabe que acabei por fazer isso? Logo na primeira consulta não ganhei receita do meu remédio, mas uma carta de encaminhamento para o meu próprio médico neurologista, aquele que me atendia há anos e claro ainda na Rede Pública. No final concluí que o direito à saúde exclui os epilépticos. Também quem mandou eu ter uma doença misteriosa? As crises foram piorando. Tornaram-se muito mais freqüentes. Um amigo me disse que tinha visto na televisão e na internet que agora eles operavam a cabeça de alguns epilépticos mais graves com muito sucesso. Confesso que fiquei eufórica. Melhor ainda: os serviços de Epilepsia eram públicos! Fui a São Paulo, após uma inútil parada numa tal de referência regional, que se limitou a me mandar tomar remédios que já tomava. Entrei em filas das universidades estaduais e federais. Uma das pessoas da fila me disse: desista ou vá até o consultório privado de um desses que aqui atende. Quero deixar claro que não dei crédito. Quem acreditaria que professores universitários ou médicos que atendem a rede pública se utilizam financiamento público para atender seus clientes privados? Nunca fui avaliada. As crises aumentaram. De volta para minha terra, fui visitar meu amigo que me tratava. Continuamos amigos e continuei com as dificuldades de minha doença sem cobertura na rede pública. Já no século XXI, melhorei um pouco e voltei a trabalhar. Um dia faltou remédio na Farmácia. Acabei por ter uma crise que me machucou bastante. Pior ainda, a freqüência aumentou. Agora de vez, não conseguia trabalhar, nem que me dessem emprego. Relatório Médico na mão fui à previdência social, este bem maior que me concede a tal constituição.

    Fui atendida logo por dois médicos, um após o outro, peritos. Claro, sou importante, afinal de certa forma eu ajudo, pagando o Sistema.  Perguntas?

            Sonia, você tem essa doença desde a infância, portanto não pode querer agora, só porque pagou, usufruir benefício.

            Você não trouxe nenhum exame que comprove que tem a doença?

            Porque você não procurou um Centro mais avançado pra se tratar? Você sabe que hoje existe tecnologia moderna, inclusive cirurgia?

            Onde está o exame de Ressonância Magnética?  

            Como? Exames de Ressonância demoram mais de um ano para serem marcados? O que nós temos com isso?

            Porque você não procura um vereador para apressar a marcação?

            Por fim, queremos informar que vamos negar seu benefício por tudo isso e saiba que nós da Previdência (pública) não temos nada a ver com a Assistência Médica (pública) e portanto você tem que se tratar e voltar a trabalhar.

    Pois então meus caros amigos, o que faço? Não posso me tratar, pois não atendem. Se atendem, não me dão remédio. Se não posso trabalhar, não recebo salário e não posso pagar nada a ninguém, nem mesmo para me tratar. Se procuro a Previdência para que me ampare,   dizem que tenho que comprovar tratamento ou que realmente estou doente. Já nem sei se tenho alguma coisa...

    Algumas pessoas me dizem que sou bonita, sou forte, pude ter filhos e até mesmo criar meu filho sozinho. Eu entendo que com a misteriosa me perturbando eu até consegui realizar muito. Trabalhei e eduquei o menino. As mesmas pessoas dizem que nunca me viram desmaiar e que estou simulando. Pode ser.

    Hoje estou descansando, lugar frio este onde me deitei. A última coisa que me lembro é que caí ao limpar uma janela, no dia de meu trabalho como faxineira. Infelizmente foi uma nova crise. Mas porque choram ao meu redor? Que cheiro estranho esse de vela queimada...”

     

     

     

    Essa é uma história de ficção. Relatos semelhantes podem ser encontrados, basta procurar...

    March 25

    Blog 2007 : o mundo gira e a fila anda

    Gosto da expressão " a fila anda"... E anda mesmo, as palavras que um dia
    foram pronunciadas e até mesmo escritas são lançadas ao esquecimento.
    Voce que procura seus quinze minutos, grite, pois  a fila anda e o mundo gira.
    Mas, se voce não se importa com os seus quinze minutos e pode esperar
    uma eternidade ou ainda pode aguardar o Juízo final para sentenciar o
    famoso "eu não falei ?" , então não se preocupe, pois a verdade é mais
    improtante que o movimento. Bem, tenha paciência, releia este Blog errático
    e em seguida a revista Veja desta semana. Vai poder ver , entre outras
    informações, que pesquisadores da John Hopkins estão evoluindo em linha
    de pesquisa para encontrar um mosquito (o da malária),geneticamente
    modificado,  que não permita a transmissão do "plamodium" e assim deixe
    de ser o reservatório e vetor dessa terrível doença. Ponto para os pesquisadores
    que estão mostrando o lado bom das pesquisas com  transgênicos.
    Vale a pena ler.
    E daí ?
    Será que a natureza já não presenteou a humanidade com um "transgênico
    natural" no caso da transmissão da DENGUE ? Por que matamos
    o Aedes Albopictus ?
    Tem gente que vai ter que se explicar no tal Juízo... Eu terei o Blog pra me
    justificar...e nesse momento a fila já não estará andando.
     
    July 25

    o livre pensar

    Preocupação

     

     

    Nuremberg, Alemanha, junho de 2006.

    A região da Baviera é uma das mais belas da Europa central. Sua rica história remonta aos tempos da idade média, passando pelo esplendor na corte do Rei Ludwing e à Segunda Grande Guerra que    a destruiu por completo. Hoje em dia muito mais lembrada pelo famoso julgamento, presenciou, entretanto, acontecimentos de maior relevância e principalmente  emblemáticos.

    Andei pelos corredores da área construída para eventos do Partido Nazista. Um impressionante acervo de fotos, filmes, objetos e documentos que mostram crimes hediondos inimagináveis ainda que hoje  sabemos ter acontecido. Mas isso é lugar comum. Deve ser lembrado para que nunca mais ocorra fenômeno semelhante. Chamou-me a atenção a evolução das instituições na Alemanha a partir de 1933 quando o Partido chegou ao poder: mudanças rápidas foram introduzidas e uma aparente melhoria na qualidade de vida dos cidadãos se observou. Gradativamente o cidadão abria mão da liberdade, do livre pensar, entregando-os aos guardiões das idéias em troca de benefícios apenas existentes em propaganda. É o que aprendemos nos bancos escolares.

    Quero rever apenas um detalhe: a substituição do Estado pelo Partido ou ainda a ocupação das funções do Estado pelo Partido. O chanceler e o líder do partido se tornam uma só pessoa. Os símbolos partidários substituem os símbolos do Estado. As instituições se fundem. O mesmo ocorreu ao mesmo tempo na União Soviética, embora nesta, a tendência de substituição era a própria essência programada do regime. 

    Assustei-me quando, absorvido pelas lembranças, me perguntei: será que existe algum lugar no mundo onde alguém ainda imagine fazer do partido uma instituição que substitua o Estado ?

     

    July 19

    Também escrevo coisas sem sentido

    A volta das maritacas*

     

     

    Dia após dia, manhã após manhã, olho a palmeira pela janela do quarto. Alta, cerca de 7 metros de altura, imponente, produz grande número de pequenos coquinhos em cachos pendentes que exaltam a fertilidade da árvore que lhes deu a vida e a missão de perpetuar a espécie.

    Maritacas são pequenas aves de cor verde, o mais belo verde que se possa ver, às vezes confundidas com pequenos papagaios e que são na verdade aves do mesmo gênero. Por anos e anos bandos iam e voltavam ao nascer do sol, barulho intenso em acrobacia aérea em volta da palmeira. Como um despertador natural, passei a desejar sempre ser despertado pelo som que, pouco tempo depois, não incomodava. Antes, o imaginei como harmônico por trazer agradáveis sensações como um regozijo à natureza. A cena é singela, a sensação de prazer infinita.

    O pensar liberto, especulações dispersas, desgarradas. Apoiar-se à janela, silenciosamente, com todo o cuidado, maritacas em bandos cobrem a palmeira mais uma vez. Precioso estímulo criador. Se quiser, menos que isso, apenas agradável deleite. Pretensiosos poetas cantam a música e os movimentos das pequenas musas verdes e se apaixonam. Assim me sentia com alegre despertar dia após dia.

    De repente num desses dias as maritacas não vieram. Acordei, por não ouvi-las! Achei tudo muito estranho. As maritacas, aves coerentes, simplesmente não podiam faltar ao seu compromisso de voar sobre a minha palmeira. Ora, aves coerentes? Coerência é uma característica abstrata, portanto humana e não pode neste caso ser aqui aplicada. Isso, entretanto não responde. Onde estariam as maritacas?

    Não considero razoável sentir sua ausência. Mas, faziam parte do meu dia, de minhas manhãs, de minha vida, do meu despertar...

    Depois de alguns anos, agora, neste inverno elas voltaram. Não trouxeram respostas e não expuseram as razões de tão sentida ausência. Não permitiram que perguntasse. Fiz silêncio, abri suavemente a janela, voltei a ver as acrobacias do bando das pequenas aves verdes, novamente ouvi seus harmônicos gritos e observei a palmeira também mais linda, mais robusta como se dissesse que cumpria seu papel.

    Se algum dia as maritacas explicarem porque sumiram então entenderei porque sinto tanto sua falta.

    A história dos paradoxos está apenas começando.

     

     

    * Existem no “google” cerca de 14 300 páginas em português sobre maritacas.

     

    May 02

    afinal um sucesso...

    Apenas uma história

     

     

     

    O ano de 1986 trouxe uma discussão interessante ao nosso País e em especial à região do Vale do Rio Paraíba do Sul. Não apenas discussão, mas uma verdadeira preocupação, pois afinal estávamos lidando com agravos que repercutiam na saúde das pessoas. Os casos de Dengue apareciam em números epidêmicos no Rio de Janeiro e não havia porque não atingirem o Vale, subindo a Serra das Araras e se espalhando. Rota de caminhões e naturalmente cargas de todo tipo. Pessoas indo e vindo de regiões onde doentes eram em número cada vez maior e percorrendo outras infestadas de Aedes.

    Discussões entre interessados em Saúde Pública, Epidemiologia e principalmente História, tentavam identificar estratégia para ações que impedissem o que se aproximava. Felizmente a estratégia estava definida. Mutirões para eliminação das larvas dos pequenos mosquitos e acompanhamento rigoroso do índice de Breteau. Assim faziam todos.

    Em determinado momento fiz algumas perguntas ingênuas, mas pertinentes uma vez que tal como todos, meu conhecimento sobre tal doença era muito pequeno:

     

    -         Qual o vetor (mosquito) que transmite o vírus do(a) Dengue?

    -         Se o vetor é o mesmo que o da Febre Amarela, o que teria sido feito para sua erradicação 100 anos antes?

    -         Conseguiram erradicar o mosquito?

    -         O Vale do Paraíba sofreu com a Febre Amarela?

     

    Perguntas ficaram sem respostas. Há muito, pensavam, já foram respondidas. Desprezemos as evidências.

    Querendo provocar, persisti nas perguntas e daí afirmações foram conseqüência. Conversei com um antigo médico da região, já idoso, mas de muito boa memória, o Dr. José Diogo Bastos, que gentilmente me disse: “... não me lembro da Febre Amarela ter sido importante e nem ter causado preocupação maior em nossa região...”.

    Foi inevitável provocar: - Não se preocupem o mosquito não sobe a Serra!

    Não deveria ter feito isso, pois afinal eu estava diante de pessoas estudiosas e da primeira linha de combate contra a epidemia. Mas insistia e perguntava sobre o vetor que não era o tão temido Aedes aegypti mas o mais “violento” ainda “Tigre Asiático” (Aedes albopictus), produto da invasão comercial vinda da Ásia. A disseminação de tal mosquito era uma realidade no ocidente tal qual o Huno Átila no passado.

    Nova pergunta fiz, pois agora eu precisava justificar a bobagem que estava por trás da subida da Serra das Araras: - O Aedes albopictus é capaz de transmitir de fato o vírus e manter uma epidemia?

    Mais e mais perguntas: - As informações sobre a ocorrência de epidemia causada pelo “Tigre Asiático” são confiáveis? ; Esta fera rajada tem o mesmo comportamento e habitat do seu colega egípcio?

    Chega de perguntas porque temos que trabalhar. Vamos montar equipes de combate ao Aedes, comprar viaturas e contratar pessoal; repassar recursos para Municípios que formarão equipes que deverão matar mosquitos, não esquecer de comprar reagentes para testes sorológicos. Muito trabalho.

    Finalmente, em meio a muita discussão, chegou o 1o. caso (1987) em Cruzeiro, a maior cidade paulista após a subida da Serra. É hora de rever a afirmação. Transmissão pelo Aedes albopictus era possível. Um pequeno detalhe, porém, apareceu pouco tempo depois: os reagentes haviam sido comprados pelo Instituto Adolpho Lutz de forma pouco convecional: contrabando! Não eram confiáveis. O caso não se confirmou. O Vale permaneceu virgem...

    Os anos foram se passando, vitórias e derrotas foram se acumulando, equipes municipalizadas se multiplicaram, o Aedes albopictus perdia a guerra a cada dia, ano após ano. Eficácia comprovada.

    De qualquer modo fiz minha parte: transformei-me em plantador de bromélias e procurei, como todo amante da natureza, preservar o pequeno tigre. Travei batalhas verbais com os assassinos de Albopictus. Fui derrotado.

    O Aedes albopictus desapareceu. Surge em seu lugar o eficiente Aedes aegypti, agora livre para voar, crescer e se multiplicar.

    Em 2006, vinte anos após a despretensiosa discussão, instalou-se a Epidemia de Dengue em Cruzeiro SP. Sem dúvida uma vitória para os que diziam que ela chegaria.

    Questionamentos finais:

    -         O Aedes albopictus é um bom vetor na transmissão da Dengue?

    -         Existe evidencia razoável de que este mosquito seja capaz de manter uma epidemia?

    -         Os dois mosquitos “primos” podem coexistir em um mesmo local?

    -         Será que não matamos o mosquito que nos defendia?

    -         Por que em locais (Flórida, Golfo do México) onde temos registro de Albopictus e Aegypti coexistindo, não temos registro de epidemias?

    -         O que teria acontecido se mantivéssemos uma pequena reserva de Aedes albopictus vivos enquanto ainda seu primo não conseguia se instalar?

    São perguntas de gente leiga, sem formação entomológica. O que importa agora e combater a epidemia, matar Aedes, seja ele qual for. Desde já me proíbo de continuar pensando, perguntando, questionando, ou buscando respostas para o sucesso das equipes que trouxeram a epidemia para meu quintal.  Mas atenção: o Anopheles não tem primos e a Malária tem feito muito especialista sambar...

     

    February 22

    seria preciso um dia de 48 horas

    O debate sobre planos de saúde, previdência social, políticas públicas envolvendo o estado de bem estar social merece sequência. Meu atual "guru" , Lorenzo Madrid,  que escreveu sobre minha provocação , e o fez com a sabedoria de sempre, deverá entender que temos aqui um tema infinito...
    Hoje vou deixar uma pequena provocação à jornalista que gentilmente me remeteu a um tema regional. Talvez não seja tão regional assim.
    Ainda em debate a questão do nepotismo , palavra cuja etimologia já revela o como é antigo  o problema, tivemos recnetemente no Brasil uma violenta troca de críticas e medidas liminares contra ou a favor do dito privilégio. Definiu o STF pela correta defesa da sociedade e manteve a decisão da eliminação dos parentes. E o Brasil perdeu os melhores funcionários públicos de todos os tempos. É o preço da ética e da moral. Temo pelo desaparecimento da Justiça no País. Doravante processos terão seu andamento retardado. Algumas ações levarão anos para serem julgados. Eles farão uma falta enorme e todos nós veremos como eles eram necessários.
    Que este mísero pensamento acima seja perdoado por Sir Bernard Shaw.
    A questão é : este problema existe apenas no Poder Judiciário ?  Não, existe em todos os setores : Executivo , Legislativo , nos níveis federal, estadual e municipal. Qual a novidade ?
    Acho interessante remeter a discussão também para o que acontece nas Instituições Estaduais e Federais de Ensino Superior. Até porque estaremos falando de pessoas com alto grau de conhecimento, mestres e doutores, alguns com pós doutorado , livre- docência, titulares (os antigos catedráticos). Seria interessante discutir a questão do nepotismo e dos privilégios nas universidades que aparecem de forma tão sutil que se tornou natural e aceitável. Aqueles que vivem neste meio são eventualmente massacrados pelo sistema e surpreendentemente se conformam. Alguns avaliam que talvez isso seja justo e buscam evidências científicas ( genéticas ! ) para explicar. E por certo,  a influência do meio.
    O desafio: mapear as Instituições de Ensino Superior e analisar as relações de parentesco. Num segundo momento tentar avaliar a situação de modo qualitativo. Bela tese de Pós Graduação em Sociologia ( ou seria de Direito Penal ? )
    January 29

    Relações indiscretas, perguntas sem respostas

    Hoje, à propósito de uma sempre agradável leitura no blog de Lorenzo Madrid, fiquei a pensar sobre a conhecida expressão americana do norte: “there’s no free lunch!”

    As sábias previsões do Lorenzo em idos de 2000 – muito estranho escrever tal frase – soam às nossas orelhas (e aqui assim escrevo porque sigo a mudança da nomina anatomica embora prefira “aos nossos ouvidos”) remete a discussão para a pergunta final que é afinal sobre quem pagará a conta. Realmente neste mundo da tecnologia de informática e suas mudanças incrivelmente rápidas, os ousados ganham e perdem milhões e os incautos sempre perdem. Aparentemente não há perda significativa que prejudique a comunidade. Fortunas e empreendimentos privados que mudam de mãos fazem parte das mazelas da economia liberal que a todos absorve em nome do crescimento necessário para a melhoria das condições de vida no Planeta (pobre Gaia!). Talvez seja preciso mudar paradigmas em relação à vinculação do crescimento econômico e a qualidade de vida. Mas isso já é uma outra história.

    No mesmo dia li em uma revista médica algo muito estranho. O editor da revista da Associação Paulista de Medicina se mostrava preocupado com indícios cada vez mais fortes de que existem em nosso meio, médicos que prescrevem medicamentos com estímulo financeiro de laboratórios farmacêuticos. A tradução disto seria assim: a cada medicamento prescrito, o médico ganharia um determinado valor do laboratório. Caso isso possa ser comprovado (no Brasil isso é complicado), teríamos um extraordinário “avanço” nas relações entre médicos e laboratórios que até então tem se traduzido em financiamentos para pesquisas, viagens, financiamento de congressos médicos e assim por diante. O “avanço” é a remuneração direta. Remember Vioxx!

    Por que escrevo sobre tal aberração?

    Estudando a evolução do Sistema de Saúde americano do norte, qualquer um de nós pode observar que o Sistema Tupiniquim vem seguindo passo a passo o de nossos irmãos do norte. Isso é bom?  Não sei, mas retorno a pergunta ao Lorenzo: quem, afinal, no caso da industria da saúde, paga a conta?

    December 28

    Final de Ano

    Termina o ano de 2005. Acredito que foi um ano diferente para todos. O ano que começou com uma tragédia ambiental.
    O ano que revelou a ausência de cor política da corrupção. O ano que ousou violentar uma das cidades mais interessantes existentes no mundo. New Orleans com seus artistas de rua, com seu cheiro nem sempre agradável, entre pimentas e "beignets", entre o muito sofisticado e o popular, com seus bairros mais díspares em sua arquitetura e lugares onde já não passa um bonde chamado "Desire". Talvez ainda venha  circular, entre ruínas a recuperar, o St. Charles. Só quero voltar à Catedral de São Luis, junto a "Jackson square" em vésperas de Natal e ouvir cânticos natalinos apresentados por corais evangélicos (!) em vozes quase celestiais. Experiência ecumênica única. A arte como tenta dizer O Sr. Barenboim é um caminho para a utopia da paz. O Sr.Marx que nos assiste do além deve ficar desconfortável se tiver acesso ao mundo virtual.
    Termina o ano de 2005. Tenho ainda algumas horas para ler Bahktin, pois ganhei um livro sobre o mesmo e por ignorância nunca o enfrentei.
    O romance ficou para 2006.
    November 21

    mais uma vez

    Voltei aqui ! Pensei que a primeira mensagem seria a última. 
    Pelo jeito não foi. Volto a escrever. O assunto que tem me seduzido é a incoerência. Às vezes me surpreendo com as mudanças que observo nas pessoas que conheci e ainda mantenho contato desde os anos 60. Mesmo aquelas que não conheci pessoalmente, mas pude acompanhar pelos seus escritos, suas ações ou pelo que se pode ler na imprensa. Acho tudo muito estranho e talvez seja esse um problema para quem tenha  memória ainda não comprometida.
    Alguem já disse : "O homem  e suas circunstâncias". Se isso justifica  as mudanças, então vale tudo, vale qualquer coisa , pois sempre haverá uma circunstância a explicar as ações.
    Proponho a quem se descuidar , acabar lendo este "blog" , olhe em volta  e avalie pelo menos três pessoas.
    Lembre de suas atitudes e opiniões há 30, 40 anos. Depois observe a mesma pessoa hoje.
    Faça a mesma coisa com instituições, empresas, jornais, revistas e  qualquer outra pessoa física ou jurídica.
    Fez ? Então pode chorar, infelizmente ideologia não existe.
     
    November 18

    Algum dia eu teria que começar

    De tanto ver todo mundo escrever , um dia voce se arrisca e faz o mesmo ou pelo menos tenta algo semelhante. O mesmo se dá comigo. Não sou diferente. Ainda não tenho nenhum projeto específico para este local ( me assusta chamá-lo de "blog") mas reinventar a idéia do livre pensar e mais o livre escrever me fascina.
    Tintas rebeldes e comportamento anárquico é um alvo , independente do tema, guiando o escrever , que não seja objetivo e muito menos conduza à soluções pragmáticas. O contrário já dispõe dos professores de auto-ajuda.
    Nada a propor mas apenas comentar histórias  reais ou imaginárias. Deverá ser objeto hedonista de seu autor, o que é feliz apenas quando pode pensar e escrever o que quer.
    Já sabe , e como foi difícil, ouvir...